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O empreendedorismo nas favelas


Aglomerado da Serra, Vila Nossa Senhora de Fátima - Foto @duilovideo



Atualmente existem dois movimentos conceituais na hora de lidar com o conceito de empreendedorismo. De um lado, os fomentadores do empreendedorismo, aqueles que acreditam fielmente ser uma das soluções e ferramentas para pensarmos um novo mundo. Do outro lado, os “pessimistas” que veem nesta virada ao empreendedorismo uma jogada do neoliberalismo, da falta de “trabalho formal”, na alta dos índices de desemprego…


Existe um medo de que a favela se empodere e viva independente, principalmente financeiramente, e esta ideia não apenas uma ideia das camadas “conservadoras” da nossa sociedade, mas também de uma esquerda que ainda insiste em manter o “status quo” do “povo” que ela defende. De fato, a baixa nas ofertas de emprego formal, a falta do trabalho de carteira assinada, dos direitos trabalhistas, é uma realidade. Mas será mesmo este o caminho ideal para sairmos das desigualdades? Será mesmo que esta política não está ultrapassada e devemos pensar em novas ferramentas e maneiras de tirar o nosso povo do sufoco?


Pra quem convive e vive as favelas e periferias do Brasil, sabe do que estou falando, a luta para ganhar um dinheiro digno, sustentar a família, é uma luta pela sobrevivência diaria. E ela não para e nunca parou. O que chamo aqui de empreendedorismo já é uma atitude praticada pelas periferias a muitos anos. De diversas maneiras…


O empreendedorismo é achar soluções para os momentos mais delicados de crise. Empreendedorismo é criatividade, e aí você trabalha com o que você tem nas mãos para alcançar os seus objetivos e ideais. É o famoso “jeitinho brasileiro”, a “gambiarra”, tudo isso reflete o empreendedorismo… É no olho do furacão que um bom empreendedor vai agir para sair dali dando passos maiores em sua vida e até mesmo na vida da sua comunidade. Pois uma comunidade viva em empreendedores, é uma comunidade “rica” é uma comunidade que atende a si mesma…


Tenho visto uma grande virada nas favelas de Belo Horizonte, a quantidade de pessoas que aproveitando aquilo que faz de melhor, ou aproveitando as oportunidades que apareceram investiram em negócios próprios e locais. Viraram empreendedores… muitos pela necessidade, a falta de oportunidade e emprego… mas não deixaram esta canoa virar.


E será que quando negamos, ou deslegitimamos este movimento, apenas por razões políticas, nós não estamos querendo manter essa relação escravo-senhor? Por que só vamos dar certo se formos empregados? Por que não podemos ser nós mesmos nossos patrões? Por que ser empreendedor parece uma coisa de fora, do asfalto, do branco, do playboy?


E aí deixamos esses “pequenos empreendedores” na mão, a mercê, distante das ferramentas e recursos que podem fazer seus negócios funcionarem e dar a verdadeira independência financeira que precisamos… Precisamos repensar isso, criar redes e conexões para fortalecer e enraizar esta atitude dentro das comunidades. Mostrar que não podemos apenas ser livres e independentes, mas também, donos da nossa própria vida financeira.


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